Sabores e Saberes encerra edição com encontro em Brasília

A segunda edição de Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana será encerrada em 4 de novembro de 2026, na Fundação Cultural Palmares, em Brasília. A programação celebra a culinária afro-brasileira e os conhecimentos preservados por comunidades tradicionais de matriz africana.

Iniciado em agosto, o projeto realizou atividades formativas em dois polos: o Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, em Planaltina (DF), e a Casa de Oyá, no Novo Gama (GO). Segundo a divulgação do projeto, a culminância reunirá participantes dessas localidades.

O encontro será realizado das 14h às 18h, no Espaço Mário Gusmão, com entrada gratuita e sem necessidade de retirada de ingressos. Entre os nomes da programação está Makota Solange Borges, chef e referência em iniciativas de valorização da gastronomia afro-brasileira.

Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana

A programação articula alimentação, memória e patrimônio cultural com debates sobre políticas públicas, soberania alimentar e sustentabilidade. Também estão previstos apresentações artísticas, lançamento de livro e compartilhamento dos resultados das oficinas realizadas nos dois territórios.

Makota Solange Borges participa de palestra-performance e lança livro

A Makota Solange Borges, idealizadora do projeto Culinária de Terreiro e do Festival do Dendê, conduzirá uma palestra-performance sobre práticas culinárias, memória e ancestralidade. A participação também inclui o lançamento e a sessão de autógrafos do livro Festival do Dendê.

Segundo a apresentação do projeto, a obra surgiu da proposta de reunir receitas para ajudar a comprar uma terra onde a Cooperativa Mulheres Solares possa desenvolver suas atividades. Chefs aderiram à iniciativa e cederam receitas preparadas em edições anteriores do festival; o público poderá adquirir o livro e contribuir com essa meta.

Solange Borges relaciona sua atuação atual às lembranças da infância, quando, por volta dos cinco ou seis anos, acompanhava a mãe em práticas de candomblé feitas às escondidas, à noite. Ela também critica a sistematização acadêmica de conhecimentos tradicionais sem o devido reconhecimento das comunidades que os preservam e considera relevante levar esse debate a Brasília, no centro do poder.

Debates e manifestações culturais integram a programação

A mesa de abertura será mediada por Tata Luazi Luango, coordenador artístico do projeto, e reunirá representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A conversa abordará a relação entre patrimônio, políticas públicas e as experiências desenvolvidas nos territórios.

Entre os assuntos previstos estão o Tabuleiro da Baiana como patrimônio histórico-cultural, o edital Sabores e Saberes 2025, a Política Nacional Cultura Viva e as políticas para cozinhas solidárias e tradicionais. A proposta é aproximar iniciativas institucionais de preservação cultural e segurança alimentar das práticas das comunidades.



Em outra mesa, mediada por Tata Luazi Luango, Mãe Maria do Cerrado, do Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, e Yá Jussara de Oyá, da Casa de Oyá, compartilharão experiências dos polos de Planaltina e Novo Gama. O diálogo tratará dos territórios tradicionais como espaços de formação, convivência, resistência cultural e transmissão de conhecimentos entre gerações.

A programação artística inclui Tambores de Angola – Tumba Kumba Junsara, Sambadeiras de Roda – Manzu Kalla Muísu e Makudiá de Terreiro – Inzo Ngunzu Tubiá Diulo. As apresentações aproximam gastronomia, música e dança, enquanto os tabuleiros e pratos das oficinas integram a partilha prevista para o encontro.

Oficinas em Planaltina e Novo Gama reuniram saberes tradicionais

Em 22 e 23 de agosto, o Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga, em Planaltina, recebeu as vivências Terreiro Cerratense, Cozinhas Comunitárias, Senzala Gastronômica e Comida Contracolonial. As atividades trataram de práticas culinárias tradicionais, segurança alimentar, organização comunitária e preservação da memória gastronômica afro-brasileira.

Nos dias 5 e 6 de setembro, a Casa de Oyá, no Novo Gama, sediou outras atividades formativas. A vivência Tabuleiro da Baiana abordou a gastronomia tradicional como instrumento de desenvolvimento econômico e sustentável, enquanto Cozinhas Comunitárias discutiu segurança alimentar, aproveitamento integral dos alimentos e organização comunitária.

Também no Novo Gama, Terreiro Sustentável tratou da preservação ambiental, do preparo do solo para agroflorestas, da compostagem e do tratamento de resíduos orgânicos. Já Comida Contracolonial, conduzida pela nutricionista e curadora alimentar Bruna Crioula, propôs uma reflexão sobre sistemas alimentares numa afroperspectiva, com foco em plantas alimentícias não colonizadas e no combate ao racismo alimentar.

Projeto relaciona culinária de terreiro, sustentabilidade e desenvolvimento comunitário

Para Tata Luazi Luango, diretor artístico do projeto e diretor do Instituto Kitanda Cultura de Terreiro, a culinária de terreiro vai além do prato e reúne saberes e tecnologias sociais negras. Ele afirma que cozinhas comunitárias podem articular preservação da ancestralidade, soberania alimentar, resistência e desenvolvimento sustentável nos territórios.

Luango também relaciona a salvaguarda dos modos de fazer às políticas culturais e ao desenvolvimento dos povos de matriz africana. O projeto estabelece conexões com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo temas como fome zero e agricultura sustentável, igualdade de gênero, trabalho decente, redução das desigualdades e produção e consumo responsáveis.

Carol Peres, produtora cultural e presidente do Instituto Lente Cultural, afirma que o Tabuleiro da Baiana aproxima cultura, alimento e trabalho. Na avaliação dela, mulheres e mestras de terreiro transformaram memória em formação, renda e partilha durante a segunda edição, e a culminância na Fundação Cultural Palmares dá visibilidade a esse protagonismo.

Serviço

  • Evento: Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana | Culminância da 2ª edição
  • Data: 4 de novembro de 2026, quarta-feira
  • Horário: das 14h às 18h
  • Local: Espaço Mário Gusmão na sede da Fundação Cultural Palmares – Brasília (DF)
  • Entrada: gratuita, sem necessidade de retirada de ingressos


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